Geneticamente, os homens, independentemente de qualquer característica a ser comparada, são 99,9% idênticos. A variação do nosso código genético é mínima: duas vezes menor do que a do genoma dos, absolutamente iguais, pinguins. Ao menos biologicamente, segregar alguém por ser "diferente" me parece idiotice. Vejo, por exemplo, a cor da pele como um resultado de um breve período sob ação da seleção natural. Precisamos de vitamina D para incorporar o cálcio aos nossos ossos e evitar doenças como a osteoporose. Para que a pele possa sintetizá-la, necessita de radiação da luz solar. Por outro lado, muito ultravioleta induz um pigmento escuro chamado melanina. Assim, é natural que os menos pigmentados estivessem em desvantagens nos trópicos, pois sofreriam queimaduras terríveis. Teriam de caçar em horários em que a radiação fosse menor e morreriam muito precocemente por infecções ou câncer de pele. Nas regiões temperadas, por outro lado, os mais pigmentados sofreriam com osteoporose e fraturas frequentes - uma vez que não existia um suplemento vitamínico pré-histórico. Algum desses espécimes passa a ser mais puro ou mais digno por causa dessa simples adaptação bioquímica à luz solar? Por pensar dessa forma é que encaro alguns termos politicamente corretos como babaquice. "Afro-americano" é o indivíduo cujo pais são negros angolanos ou brancos egípcios? Todos são "afro-descendentes", parentes de Lucy. A única diferença é que os negros saíram de lá, no máximo, há uns quinhentos anos, enquanto os antepassados dos brancos já haviam migrado para a Europa e Oriente Médio havia cinquenta mil anos. Desculpe-me, mas um "ministro da igualdade racial" apoiado pelas "comunidades negras" parece só piorar o problema. Deveria ser "ministro da igualdade" apoiado pela "comunidade".
Wording My World [...]
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Gardenal não cura preconceito
Hoje me deparei com um comentário absolutamente infeliz em um blog que sigo. Não apenas porque ofendia gratuitamente a autora em seu blog pessoal (o que, para mim, é o mesmo que bater na porta de alguém, entrar em sua casa e começar a criticar veementemente a disposição dos móveis na sala), mas também porque a "xingava" de louca e, com muita pompa e autoridade, sugeria que a mesma tomasse um "gardenal". Foi impossível conter o mal-estar que a vergonha alheia me proporcionou.
É impressionante ver como as pessoas repetem as coisas sem gastar um segundo de reflexão para avaliar se o eco do que estão fazendo tem o mínimo de sentido. Não vou nem entrar no mérito do quanto é insano (rá!) rotular alguém como louco ou normal. Afinal, o que é o normal? O que é "loucura"? Quem define? E aquele que se acha capaz de definir é normal o suficiente para isso? Deixando a metalinguagem de lado, na minha opinião, o "normal" inexiste. Há apenas o comum e o incomum, baseado em estatísticas e comparações - para todo e qualquer tipo de comportamento.
Ninguém é obrigado a estudar farmacologia antes de abrir a boca, eu sei. Só que, hoje em dia, o google está literalmente na palma da mão. Não levaria nem dez segundos para descobrir que o Gardenal (nome comercial do fenobarbital) não é uma poção mágica que torna as pessoas "normais" e aceitáveis aos olhos da sociedade. É apenas um medicamento antigo usado para tratar e prevenir convulsões ou "ataques epilépticos", como as pessoas adoram falar.
Se considerarmos que desde a Mesopotâmia e até a Idade Média (muito antes da invenção do Gardenal), as convulsões eram atribuídas à possessão por deuses demoníacos e as pessoas que convulsionavam estariam fora de si mesmas, sendo atacadas por espíritos do Mal, até dá para entender a origem da ofensa "Vai tomar seu gardenal, sua louca". Por outro lado, se a pessoa repete esse pseudo-xingamento sem nem saber se ele faz sentido, considero praticamente impossível que ela tenha tido interesse ou capacidade de pesquisar o tema com toda a profundidade necessária para saber disso.
Infelizmente, a ciência ainda não desenvolveu um medicamento capaz de tratar a Síndrome do Papagaio. É uma pena, pois realmente acredito que isso acabaria com inúmeros tipos de preconceito (sempre oriundos da falta de informação). Já que não dá para pedir para o governo incluir senso crítico e informação no Farmácia Popular, vou me contentar em pedir para que, pelo menos, a ofensa do gardenal seja abandonada. E, se for muito incapacitante abandonar o hábito de ofender pessoas gratuitamente, que você se informe antes de fazer isso. Vai continuar não sendo legal, mas, pelo menos, você vai demonstrar não ter séculos de desinformação.
sábado, 29 de outubro de 2011
Opção sexual: uma questão de cérebro
Quando chega a hora do sexo, você gosta de homens ou mulheres? Acha que isso é uma escolha consciente ou a mera constatação das preferências do seu cérebro? Acredita que um único gene possa interferir no seu comportamento? Preferência sexual, afinal, é biologia ou psicologia?
Sexo é um assunto tão importante em termos biológicos, sociais e evolutivos (afinal, é o que torna possível a continuidade das espécies) que existem regiões do cérebro dedicadas a ele. Várias ficam no famoso hipotálamo, estrutura responsável pela regulação de diversos aspectos do funcionamento corporal, como a freqüência cardíaca, pressão arterial e, acredite, comportamentos razoavelmente complexos como a aproximação com fins sexuais e até mesmo a cópula.
Mexa no hipotálamo do jeito certo e você alterará o comportamento sexual do animal. Um estudo mostrou que o bloqueio da produção de um único receptor para hormônios femininos em uma área da região hipotalâmica é suficiente para abolir o comportamento sexual de camundongas. Com o hipotálamo – e somente Ele – tornado insensível ao estrogênio, camundongas adultas deixam de aceitar investidas dos machos. Pior: elas passam a rejeitá-los. E tudo isso porquê um único gene foi silenciado.
Outros artigos põe mais lenha na fogueira da preferência sexual e, dessa vez, em humanos. Dois estudos de pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, mostraram recentemente que diferenças no hipotálamo estão associadas a uma de nossas características individuais mais fundamentais: a sexualidade.
Para desespero daqueles que acham que podem “consertar” as preferências sexuais dos outros (e geralmente para consolo das partes mais interessadas), toda a neurociência aponta para uma determinação biológica (genética e hormonal) da preferência sexual, e precoce, ainda no útero. Que padres e políticos esperneiem à vontade, mas não há qualquer evidência de que o ambiente social influencie a preferência sexual humana – biologicamente falando. Cerca de 10% dos homens e das mulheres procuram, preferencialmente, parceiros do mesmo sexo, e o número não muda entre pessoas criadas por pai e mãe, pai e pai, mãe e mãe, com ou sem religião, na área urbana ou rural... Não se trata, portanto, de “opção” sexual, tanto que tentativas sociais de convencer humanos ou outro animais a mudar de identidade (ou “condição”) sexual nunca deram muito certo. Seja você heterossexual ou homossexual, imagine-se sendo obrigado a adotar a preferência sexual oposta. Não gostou do resultado? Pois é.
Ao que parece, a identidade sexual – e é a nomenclatura que me sinto mais seguro em utilizar – está associada à maneira como o hipotálamo responde a feromônios, segundo os estudos suecos. Feromônios são substâncias produzidas por indivíduos da mesma espécie e causam nestes alterações fisiológicas e comportamentais, sempre de cunho social. Numa definição ainda mais ampla e curiosa, estas substâncias são usadas pelas mais variadas espécies, das leveduras que fermentam a cerveja aos javalis, passando pelo ser humano para unir gametas – promovendo o encontro dos seres que os transportam. O esquema é engenhoso: cada invidíduo produziria o feromônio característico da sua espécie, na versão “homem” ou “mulher”, dependendo do tipo de gameta produzido, e esse feromônio surtiria um efeito avassalador sobre o cérebro dos indivíduos do sexo oposto. Portadores de gamestas de um e outro tipo então se aproximariam, passando pela versão de paixonite aguda possível àquela espécie e acabariam por, digamos colocar seus gametas em contato. Se tudo funciona, o casal é premiado com um rebento, que por sua vez produzirá feromônios e será atraído por outros, de acordo com seu sexo – e é aí que o esquema se autopropaga.
Todos os feromônios são pouco voláteis: é preciso chegar perto do indivíduo que o produz; feito isso, eles entram pelo nariz - onde são detectados pelo órgão vomeronasal (e não pelo epitélio olfativo, razão pela qual não existe um cheiro detectável), e esse órgão encaminha a informação ao cérebro direção hipotálamo. O comportamento que se segue parece depender radicalmente de como essa zona se ativa em resposta. Nos homens heterossexuais, mas não nas mulheres heterossexuais, o hipotálamo responde fortemente ao feromônio feminino (EST). Ao contrário, nessas mulheres, e não nesses homens, o cérebro responde ao feromônio masculino (AND). Com tudo o que se conhece sobre a região envolvida, deve se seguir uma cascata de eventos em outras regiões cerebrais (como a amígdala, córtex cerebral e sistema de recompensa, que provocam excitação sexual e fazem com que se busque o dono ou dona do feromônio que ativou o sistema) e, assim, eles preferirão se aproximar delas, e elas, deles. E em imaginar que tudo isso começou no nariz...
Segundo, ainda, os estudos suecos, no entanto, nem todo hipotálamo masculino responde a feromônios femininos e vice-versa. O padrão de resposta do hipotálamo concorda não com o sexo de cada pessoa, e sim com sua identidade sexual ou, provavelmente o contrário: a identidade sexual de cada um depende do padrão orgânico de resposta de seu hipotálamo. Homens e mulheres, cujo hipotálamo responde ao EST, feromônio feminino, e não ao AND, gostam de mulheres; se o hipotálamo responde ao AND e não ao EST, gostam de homens.
Claro, existe a possibilidade teórica de a preferência do hipotálamo ter mudado por causa do comportamento homossexual dos voluntários, ao invés de tê-lo causado. No entanto, com tudo o que se conhece sobre a dificuldade de “converter” a hetero ou homossexualidade e comprovável indiferença das influências sociais isso é muito pouco provável.
O que cada um faz com sua identidade sexual já é outra estória, esta sim é uma opção (preferência ou seja lá como você prefira classificar) que lamentavelmente deve levar em conta todas as dificuldades psicológicas que a discriminação traz. Mas, até onde se sabe, para a neurociência a identidade sexual é biológica e não psicológica. Revelada quando o cérebro adolescente, sensibilizado pelos hormônios sexuais produzidos sob seu controle, expressa o caminho que tomou ainda na gestação - sem qualquer interferência social. Identidade sexual não se escolhe: descobre-se. Tentar mudá-la é como insistir que uma pessoa troque de cor de pele, se torne mais baixa ou tenha um olho de cada cor. É inevitável. É inútil. É injusto.
Referencial Bibliográfico:
HERCULANO, Suzana. Pílulas de Neurociência. Ed. Sextante. 2009.
LANGSTROM, Niklas. Genetic and Environmental Effects on Same-sex Sexual Behaviour. Karolinska Intitutet. 2008.
Referencial Bibliográfico:
HERCULANO, Suzana. Pílulas de Neurociência. Ed. Sextante. 2009.
LANGSTROM, Niklas. Genetic and Environmental Effects on Same-sex Sexual Behaviour. Karolinska Intitutet. 2008.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Sobre o aborto e outros preconceitos
Quando falamos em respeitar os direitos humanos, os direitistas falam que estamos ao lado dos bandidos; quando defendemos cotas para negros e pobres, eles dizem que estamos premiando a ignorância; quando dizemos que o corpo da mulher pertence a ela e ela deve decidir sobre ele, os reacionários dizem que o corpo pertence a Deus e que as regras do tal Deus é que devem prevalecer e nos acusam ainda de estarmos propondo o assassinato de crianças indefesas; quando se pretende punir os pais que surram os filhos, eles vem com o argumento de intromissão do governo em assuntos domésticos; quando propomos a união entre homossexuais e o combate contra a homofobia eles dizem que estamos fazendo campanha para o povo fazer "opção" pela homossexualidade; quando defendemos o desarmamento, eles afirmam que queremos desarmar o povo e deixar os bandidos bem armados; quando combatemos o racismo, eles dizem que estamos pregando o ódio entre as "raças-irmãs"; se somos contra o ensino de religião nas escolas, falam que somos ateus materialistas e que queremos proibir a bíblia. Quando defendemos programas sociais para o povo pobre, eles falam em assistencialismo e estímulo à preguiça, quando defendemos pesquisas com células-tronco para a cura de doenças, eles falam que estamos ameaçando as leis divinas; quando bradamos contra o machismo eles dizem que essa é a tradição brasileira e que esta não deve ser tocada; quando queremos investigar os crimes da ditadura, eles nos acusam de revanchistas.
Como se vê, os preconceituosos e os obscurantistas dos vários tipos têm argumento contra tudo que signifique um mundo mais arejado, mais tolerante, mais civilizado. O pior de tudo é que, vez por outras, surgem pessoas tidas como de “esquerda”, que (em tese) deveriam estar ao lado de causas libertárias.
O objetivo desse texto não é entrar no mérito da polêmica, já bastante explorada por tantos que se manifestam na mídia sensacionalista. O que trago aqui é um pedido para que deixemos as críticas levianas e hipócritas de lado e abramos espaço para discussões táteis e racionais à priori de um direito intrínseco do ser humano e que espírito, partido ou legislação alguma jamais poderá contestar: a dignidade. Porquê é disso que nossas Severinas precisam.
"Não é verdade que alguns sejam a favor e outros contrários a ele [aborto]. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico que o ideal seria instruí-las para jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é mais complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer." (Drauzio Varella)
domingo, 2 de outubro de 2011
Contra Dores
Quero os pés sujos de lama. Quero mais finais de semana.
Quero deixar a vida, deitar na cama, rolar na grama.
Quero flores coloridas. Quero becos sem saídas.
Quero ter certeza algum dia. Quero mais respostas positivas.
Quero ter pureza no argumento. Quero mais natureza e menos cimento.
Quero deixar a vida, deitar na cama, rolar na grama.
Quero flores coloridas. Quero becos sem saídas.
Quero ter certeza algum dia. Quero mais respostas positivas.
Quero ter pureza no argumento. Quero mais natureza e menos cimento.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Uma questão de pele
Me lembro de, numa outra postagem, ter falado um pouco sobre fenótipo, material genético, evolução e Lamarck. A diversidade humana é, há tempos, discutida por filósofos da humanidade. Entretanto, todas as discussões que existiram sobre “raças” humanas envolvem apenas o nível fenotípico (de aparências).
A variabilidade fenotípica é vista em várias etnias diferentes, assim como há variabilidade populacional em outras espécies por compartilharem ambientes diferentes e por um relativo isolamento reprodutivo geográfico, que faz com que cada população tenha sua própria característica. No entanto, quando analisamos as populações humanas a nível genômico, a diferenciação não é tão simples assim. A variabilidade genética da nossa espécie é muito baixa. As características físicas desses grupos representam adaptações ao meio ambiente, sendo então produtos de uma seleção natural que age sobre alguns (poucos) genes. Variações fenotípicas visíveis, tais como cor da pele, cor dos olhos, forma do nariz, etc, são regidas por pouquíssimos genes quando comparadas com variações moleculares de “maior” importância.
A anemia facilforme, por exemplo, era vista como uma doença típica de africanos ou afro-descendentes. Um estudo de padrões geográficos de ancestralidade genômica, realizado pela UFMG, constatou que 15% dos casos no Estado de Minas Gerais é formado por indivíduos com 85% de ancestralidade européia.
Quando queremos distinguir um europeu de um africano, por exemplo, podemos conseguir com êxito quando estamos analisando os dois indivíduos fenotipicamente (ou seja, levando em consideração suas características esteriotípicas). Apesar disso, quando analisamos apenas o nível genômico (como o exame de um DNA forense, por exemplo), a facilidade de identificação desaparece completamente. O ponto crucial para abolirmos completamente o termo “raças” quando nos referimos à nossa espécie é a avaliação das diferenças individuais. Vários estudos constataram porcentagens de polimorfismos individuais e entre “raças” de seres humanos e os resultados sempre foram próximos a 85% de diversidade entre indivíduos de mesma população; 8,3% de diversidade entre populações diferentes e 6,3% entre “raças” distintas.
Portanto, como podemos definir “raças” se a variação genética é de apenas 6,3%? Compare com a variação individual de 85% e podemos compreender o motivo e tamanho do erro cometido.
No Brasil, a situação é ainda um pouco mais complicada. Todos os estudos de miscigenação já realizados confirmam que a população, independente da região onde se encontra, possui ancestralidade africana, européia e ameríndia, diferindo apenas na porcentagem entre elas. A variabilidade genética da população brasileira é gigantesca! Todos nós somos afro-descendentes, euro-descendentes e ameríndio-descendentes.
Do ponto de vista médico e genético, então, raças humanas são indiscutivelmente inexistentes. Para os estudiosos da genética, as diferenças da cor da pele nas "raças" humanas são insignificantes. Mas é estarrecedor vermos sua capacidade de produzir, como nas políticas do apartheid, algumas das páginas mais cruéis da história da humanidade. Talvez o termo tenha um significado cultural e político, mas também acaba nos coordenando e condicionando à alguns preconceitos, o que não é bem visto por grande parte da população.
No ano passado tivemos nossas casas visitadas por pesquisadores do IBGE para realizarem o censo de 2010. Uma das perguntas que eles fizeram e que várias pessoas não souberam responder foi “como você define sua cor?”. Se nós, nessa esquizofrênica mania de querer limitar nosso espaço geográfico e humano a blocos cada vez mais específicos, quisermos dividir a espécie humana em raças, o mínimo que podemos dividir é em 6,5 bilhões de indivíduos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Sabe o que eu acho?
Hoje decidi me expressar de uma forma diferente: vou escrever sobre o tudo (e o nada) que acho (ou acho que acho) de forma aleatória, liberando a autonomia dos meus cem bilhões de neurônios e suas trezentas trilhões de sinapses adjacentes. Sabe o que eu acho? Eu acho que as pessoas só dão valor aos seus pais quando não os têm mais por perto de maneira crônica. Eu acho que as pessoas não deveriam sentir-se na obrigação de ver umas as outras de forma sistêmica. Eu acho que ninguém deveria impôr seus ideais religiosos a ninguém, muito menos julgar suas diferenças. Eu acho que existem vários outros órgãos mais importantes que o coração no organismo humano. Eu acho que a gente é um bando de idiotas vivendo em prol de trabalho e acúmulo de capital. Eu acho a característica fenotípica “cabelos escuros, olhos claros” a mais bela do homo sapiens. Eu acho que, se eu pudesse, jogaria meu telefone celular pela janela no fim do dia. Eu acho que tenho me preocupado demais com as outras pessoas e de menos comigo mesmo. Eu acho que aqueles que vivem perto da praia têm sorte. Eu acho que ter dentes feios e não falar corretamente são, definitivamente, inibidores de apetite. Eu acho que preciso conquistar pessoas novas e cultivar as velhas e boas. Eu acho um saco pessoas que ficam mexendo no celular numa roda de amigos. Eu acho que preciso repensar sobre algumas falsas convicções. Eu acho que preciso rever alguns conceitos. Eu acho que a noite é muito mais interessante que o dia. Eu acho que preciso me dedicar mais. Eu acho que preciso relaxar mais. Eu acho que estou perdido dentro de mim. Eu acho que deveria administrar melhor meu tempo. Eu acho que é muito fácil criticar a violência no país dirigindo um carro blindado e morando num condomínio fechado. Eu acho que deveria excluir alguns contatos sociais. Eu acho o amor de uma maneria diferente de antes. Eu acho que eu deveria ser mais compreensivo. Eu acho o máximo entender o que acontece dentro de mim. Eu acho errônea e apenas políticamente útil essa subdivisão e exclusão geográfica cada vez mais gradativa a que nos submetemos (universo, planeta, continente, país, Estado, cidade, região, bairro, rua, casa, quarto...). Eu acho que eu tenho perdoado demais. Eu acho que preciso deixar de ser ocioso. Eu acho que deveria reclamar um pouco menos. Eu acho que expressão em excesso é maléfico. Eu acho que deveria ler sobre outros assuntos senão o mesmo. Eu acho que a faculdade de Medicina nos atribui muitas tarefas e pouco tempo para cumpri-las. Eu acho que gente desinteressada não me interessa. Eu acho que a minha mãe deveria morar comigo. Eu acho que sou um egoísta quando acho isso. Eu acho que reservar mais tempo pra mim comigo mesmo se faz necessário. Eu acho que sentir saudade é bom. Eu acho que não ter tempo útil para sentir saudade é péssimo. Eu acho que o Mato Grosso do Sul deveria ter um nome mais original. Eu acho gente invasiva muito chato. Eu acho a natureza e o corpo humano simplesmente incríveis. Eu acho que o amor não deve ser tido como um sentimento avassalador. Eu acho que religião, drogas e política devem sim ser debatidos. Eu acho que ninguém tem o direito ou sequer necessidade de opinar sobre o gênero com o qual você transa. Eu acho que meu tempo livre é MEU tempo livre e eu faço o que quiser com ele. Eu acho que a televisão vai acabar com o intelecto da humanidade. Eu acho que Deus é uma criação ideal do homem, mas adoro os feriados santos. Eu acho que os motoristas campograndenses deveriam ser mais solidários. Eu acho que deveríamos dar mais valor ao sol. Eu acho que todos poderiam tirar seus restos de comida da mesa nos restaurantes públicos. Eu acho que o processo seletivo para a graduação neste país é desleal. Eu acho que todo mundo deveria conhecer as comunidades carentes e o sistema público de saúde da sua cidade. Eu acho que perco tempo demais me distraindo enquanto estudo. Eu acho que tudo é conectado. Eu acho que tudo acontece à priori de um aprendizado. Eu acho que as pessoas deveriam olhar menos na etiqueta e mais nos olhos. Eu acho que o importante é ser feliz.
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